Open Investment: o que é, como evoluiu e o que esperar

O Brasil construiu, em menos de cinco anos, o maior ecossistema de Open Finance do mundo. E dentro desse sistema, uma frente específica ganhou força silenciosa e contínua: o Open Investment (ou compartilhamento aberto de dados de investimentos).

Ao longo deste artigo, vamos explorar os principais benefícios do Open Investment, o crescimento expressivo que ele registrou desde sua implantação e o que podemos esperar do setor a partir de 2026. Acompanhe!

O que é o open investment?

O Open Investment é a extensão natural do Open Finance para o mercado de capitais. Ele permite que o investidor autorize o compartilhamento dos dados de suas carteiras, fundos, renda fixa, renda variável, previdência, entre diferentes instituições financeiras, de forma segura, padronizada e sob controle total do próprio cliente. O fundamento é simples: os dados pertencem ao investidor, não ao banco. E é ele quem decide com quem os compartilha.

Essa fase foi implementada a partir de setembro de 2023, como parte da Fase 4 do Open Finance regulado pelo Banco Central, que ampliou o escopo do sistema para incluir investimentos, câmbio, seguros e previdência. O objetivo é claro: romper com a assimetria de informações que historicamente favorecia as grandes instituições, estimular a concorrência e, sobretudo, empoderar o investidor para que tome decisões mais informadas e obtenha melhores condições de mercado.

Principais benefícios e como o modelo funciona na prática

O Open Investment não é apenas uma inovação tecnológica. É, antes de tudo, uma mudança de paradigma na relação entre o investidor e o sistema financeiro. Alguns exemplos concretos ilustram bem seu potencial:

Visão consolidada do patrimônio: um investidor que tem CDBs no Banco A, fundos de ações na corretora B e previdência no Banco C pode, com um único consentimento, visualizar toda a sua carteira em uma só plataforma sem precisar acessar três aplicativos diferentes.

Portabilidade inteligente: ao compartilhar seu histórico de investimentos com uma nova instituição, o investidor permite que ela faça uma proposta personalizada com base em seu perfil real e não em dados genéricos. Isso abre espaço para migrar para produtos mais adequados com muito mais agilidade.

Aconselhamento mais preciso: consultores e assessores de investimentos que acessam dados consolidados do cliente (sempre com autorização) conseguem construir estratégias patrimoniais muito mais robustas do que quando enxergavam apenas a carteira da própria plataforma.

Transparência e controle: o investidor decide o que compartilha, com quem e por quanto tempo. E, a qualquer momento, pode revogar o consentimento. Todo o processo é regulado pelo Banco Central e pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

A infraestrutura funciona por meio de APIs: interfaces de programação que conectam sistemas de diferentes instituições de forma padronizada e criptografada. É o mesmo mecanismo que sustenta o Pix, adaptado para o universo dos investimentos.

Crescimento acelerado: os números que mostram a trajetória

Os dados de adoção do Open Investment revelam uma curva de crescimento impressionante, ainda que o ponto de partida, em 2023, fosse praticamente zero.

Segundo levantamento da Open Finance Brasil, as chamadas APIs de investimentos atingiram 1,81 bilhão em dezembro de 2024, representando 17% do total de chamadas dentro do ecossistema. Um ano antes, essa participação era de apenas 1%. Em termos absolutos, de acordo com dados do estudo BIP compilados pela Infomoney, o número de chamadas saltou de 22,6 milhões em outubro de 2023 para 1,47 bilhão em outubro de 2024, um crescimento de mais de 6.400% em doze meses.

No âmbito mais amplo do Open Finance, os números também são expressivos. Segundo a Febraban, o sistema registrou, em fevereiro de 2026, 154 milhões de consentimentos ativos e mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas, consolidando o Brasil como o maior ecossistema de Open Finance do mundo. Entre 2024 e 2025, o crescimento em consentimentos únicos foi de 143%, de acordo com dados do próprio sistema.

As principais receptoras de dados de investimentos em 2024, segundo a Open Finance Brasil, foram Caixa Econômica Federal (19%), Nubank (17%), Mercado Pago (14%), Itaú Unibanco (14%) e Banco do Brasil (8%), o que demonstra que tanto bancos tradicionais quanto fintechs estão apostando fortemente no ecossistema. Dentro do segmento de investimentos, a Renda Fixa Bancária concentrou 76% das chamadas, seguida por Renda Variável (13%) e Fundos.

O que esperar do open investment a partir de 2026

O Open Investment ainda está em seus primeiros capítulos. A partir de 2026, o ecossistema deve avançar em pelo menos três frentes estruturais:

Portabilidade de investimentos: assim como o Open Finance viabilizou a portabilidade de crédito, a próxima fronteira natural é permitir que o investidor mova ativos entre instituições com menos fricção, reduzindo a fidelidade forçada que ainda existe em muitas plataformas.

Integração com o Open Capital Market: A CVM conduz discussões sobre um Open Capital Market que expandiria o compartilhamento de dados para o mercado de capitais de forma ainda mais ampla, incluindo informações de custódia, corretagem e análise de risco. Segundo a Finsiders Brasil, esse avanço deve ganhar forma ao longo de 2026.

Inteligência artificial sobre dados abertos: A combinação entre dados de investimentos compartilhados e modelos de inteligência artificial permitirá que plataformas gerem recomendações cada vez mais personalizadas, o que antes era exclusividade dos grandes family offices poderá ser escalado para o investidor comum.

Maior participação de pessoas jurídicas: hoje, menos de 10% dos consentimentos ativos são de empresas, segundo a Associação Open Finance Brasil. Com novas regulamentações e maior educação do mercado, esse percentual tende a crescer significativamente nos próximos anos.

O Banco Central, por sua vez, planeja regulamentar as parcerias firmadas dentro do ecossistema, um movimento que deve trazer mais segurança jurídica e ampliar a participação de novos players no Open Investment.

O Open Investment representa uma das transformações mais relevantes do mercado financeiro brasileiro na última década. Em pouco mais de dois anos desde sua implantação, o crescimento dos dados compartilhados foi exponencial e o movimento ainda está em seus estágios iniciais.

Para o investidor, a mensagem é direta: os dados da sua carteira têm valor e a partir de agora, você pode usá-los a seu favor, obtendo melhores produtos, aconselhamento mais preciso e maior controle sobre seu patrimônio.

Para os profissionais do mercado financeiro, o Open Investment não é uma ameaça é uma ferramenta. Quem souber utilizá-la para entregar mais valor ao cliente estará à frente em um ecossistema cada vez mais aberto, competitivo e orientado por dados.

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