Do Open Finance aos Open Assets: entenda a nova agenda do BC para ativos financeiros

O Brasil construiu ao longo dos últimos anos uma das infraestruturas financeiras mais inovadoras do mundo. O Pix transformou os pagamentos. O Open Finance conectou dados de mais de 80 milhões de contas e 750 instituições. O Drex avança como real digital. Agora, o Banco Central olha para a próxima camada dessa arquitetura: os open assets.

O conceito é ambicioso e a lógica, familiar: aplicar à circulação de ativos financeiros a mesma filosofia de padronização, interoperabilidade e abertura que já funcionou nos pagamentos e no crédito.

Continue sua leitura e entenda o que são os open assets e seus impactos no mercado.

O que são os Open Assets e por que surgiram?

Cinco anos após a entrada em vigor do registro de recebíveis de cartões de crédito, o Banco Central quer expandir o modelo para outros ativos financeiros, como precatórios, títulos bancários, recebíveis imobiliários e ativos do agronegócio. A autarquia vem chamando a iniciativa de “Open Assets”, com o objetivo de eliminar fricções na negociação de ativos financeiros.

Na prática, open assets significa criar uma infraestrutura padronizada que permita que qualquer ativo financeiro (fundo de investimento, recebível, debênture, imóvel tokenizado, cota de FIDC) possa ser identificado, registrado e movimentado entre instituições diferentes, com segurança jurídica e sem as barreiras técnicas que hoje encarecem e limitam esse trânsito.

O problema que o open assets resolve é estrutural. O mercado de FIDCs movimentou mais de R$ 700 bilhões em patrimônio líquido em 2025, segundo a CVM. Parte do custo operacional desse mercado é atribuível à fragmentação de infraestrutura — um FIDC com duplicatas, recebíveis imobiliários e CCBs mantém três cadeias paralelas, com latências distintas. Essa fragmentação eleva custos, limita o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas, e cria assimetrias de informação que reduzem a eficiência do mercado.

A Câmara formalizou o debate em março de 2026 com audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico, reunindo pela primeira vez regulador, legislativo e setor privado em torno de uma arquitetura para o open asset. O Banco Central conduz ainda um projeto interno chamado “Open Assets Expresso”, com o objetivo de acelerar a inclusão de novos ativos nessa esteira.

Três vetores convergem para tornar o open assets viável agora:

  1. Split payment da Reforma Tributária, que transforma a nota fiscal eletrônica em evento rastreável e cria base técnica para o modelo;
  2. Open Finance, com quase 10 bilhões de chamadas de API semanais e 750 instituições conectadas;
  3. Inteligência artificial, que permite avaliar em tempo real lastros compostos por múltiplos tipos de ativos, algo impossível com os sistemas fragmentados atuais.

Impactos para o mercado de investimentos

Para o mercado de investimentos, o open assets tem potencial de redefinir a forma como ativos são distribuídos, negociados e utilizados como garantia.

O Open Assets permite que diferentes instituições compartilhem informações sobre ativos financeiros como fundos, títulos e crédito estruturado, podendo gerar mercados secundários mais líquidos, ampliar a negociação entre diferentes plataformas e reduzir os chamados “ativos presos” dentro de um único banco ou corretora. Um exemplo concreto: um investidor poderia usar um fundo de renda fixa custodiado em uma corretora como garantia para obter crédito em outro banco, sem resgatar o investimento e sem perder rendimento.

Do ponto de vista dos investidores, o open assets traz um novo modelo de distribuição: hoje os investimentos estão muito concentrados em plataformas fechadas. Com o open assets, o investidor poderia visualizar e movimentar ativos em várias instituições, gestores poderiam distribuir produtos em múltiplos canais e surgiriam marketplaces independentes de investimentos.

Para gestoras, family offices, consultores e plataformas de consolidação, esse cenário exige e valoriza uma capacidade que já é central na gestão de patrimônio profissional: a visibilidade unificada sobre ativos distribuídos em múltiplos custodiantes. As empresas que saem na frente integram múltiplos ativos sob uma mesma orquestração e isso é precisamente o que plataformas de consolidação como a Smartbrain já fazem, posicionando-as como infraestrutura natural do ecossistema open assets.

A agenda do BC para 2026 inclui tokenização de ativos, mas sem cronograma formalizado para o open asset. O debate está na fase de diagnóstico e construção de consenso entre os participantes. O ciclo esperado repete o dos recebíveis de cartão: anos de infraestrutura antes que a inovação acelere, mas quem se posicionar agora tem vantagem estrutural quando a regulação se consolidar.

Os open assets representam a próxima camada de abertura do sistema financeiro brasileiro e sua lógica é a mesma que já provou funcionar no Open Finance e nos recebíveis de cartão: padronização, interoperabilidade e eliminação de fricções.

Para o mercado de investimentos, as consequências são concretas: mais liquidez para ativos hoje presos em plataformas fechadas, crédito mais acessível com garantias digitais, tokenização acelerada e uma nova camada de competição entre instituições. O momento ainda é de diagnóstico e construção de consenso no Banco Central, mas o mercado que se preparar agora, com infraestrutura integrada e capacidade de consolidar ativos de múltiplas origens, chegará à nova fase com vantagem real.

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